quinta-feira, 29 de abril de 2010

Meu parto!


Bom, vou começar contando de nossas escolhas e de como tudo aconteceu, pois isso interfere diretamente em como estou enfrentado tudo!

Sempre pensei em ter um parto normal, nunca me passou pela cabeça fazer uma cesárea agendada ou coisa parecida. Não me parecia bom e eu sempre tive muito medo daquela anestesia na coluna, sempre que pensava nisso me arrepiava (de verdade), sem contar no pós-operatório, pontos e etc já me faziam encher os olhos de lágrima por medo! Então PN era o caminho!

Antes mesmo de engravidar já sabia de informações de partos naturais e era o caminho que eu queria, sem anestesia, o mais natural possível, contando que a natureza me ajudaria a parir como Deus criou as coisas...

Quando engravidei a busca aumentou e fui me informando de tudo até que cheguei aos relatos de partos domiciliares. Aquilo me encantou, mas fiquei com medo, como podia dar certo? Meu marido nem cogitava. Então tá, o importante era o apoio dele. Decidimos que procuraríamos maneiras de ter um parto natural num hospital. Acreditávamos que bastava um médico que nos apoiasse e pronto nossa vontade seria respeitada. Ledo engano, nós nem imaginávamos a dificuldade que seria isso!

Começamos a freqüentar o grupo do Gama e a nos informar mais sobre tudo relacionado a parto natural. Comecei a tentar um meio de ter um parto assim num hospital comum... Cada vez mais via que era inviável e que na hora do “vamos ver” tudo sairia do controle (se fossemos para um hospital comum). Foi então que a Ana Cris (parteira/fundadora do GAMA) me indicou uma parteira/enfermeira que Tb era adventista para nos ajudar a encontrar um meio termo para o que procurávamos. Ela foi nos visitar em casa, depois de tudo falado e perguntado o Wil disse que queria que a Lara nascesse em casa. E assim foi! Acho que eu devia estar de umas 20 e poucas semanas. Fiquei radiante... sabia que dali pra frente tudo seria diferente.

Minha gravidez transcorreu sem grandes problemas, só com muito enjôo, muito mesmo. Tomei remédio para isso até o último dia de gravidez! Pressão ok, bebe ok e tudo mais, a Lara já estava cefálica desde da 21ª semana quando fizemos o 2º ultrassom morfológico, estava muito feliz,minha pequena estava cooperando com tudo. A única coisa que eu achava estranho, mas que os médicos diziam ser normal era o tamanho da minha barriga, sempre foi uns 3, 4cm menor que o tempo de gestação. Mas eu estava saudável, os exames sempre bons, então ok né!

No dia 30/12 quando levantei pela manhã e fui ao banheiro notei uma mancha meio rosada na calcinha e voltei atônita para o quarto sem entender o que estava acontecendo, eu completava naquele exato dia 37 semanas, ela iria nascer? Fiquei na dúvida se ligava ou não para a parteira... Aí resolvi ir ao banheiro de novo e desta vez senti escorrer um líquido, pouco... Aí ligamos. Expliquei o que estava acontecendo e ela disse que enquanto não escorresse pelas pernas em grande quantidade que eu não precisava me preocupar. Combinamos quando eu retornaria para ela para dar notícias... Lá para a hora do almoço ligamos novamente e fomos encontrá-la. Ela fez um toque e disse que eu tinha tido ruptura alta da bolsa (por isso que vazava aos poucos), mas que estava tudo bem, escutou o coração da Lara e os batimentos estavam normais, tudo ok! Perguntou de ultra, eu não havia feito - tinha deixado para depois das festas -, exame de strepto, também não havia feito, ia completar as 37 semanas para fazer, quer dizer, depois das festas. Neste momento meu marido disse que a feição da parteira mudou ao ouvir strepto + ultra... Ela ainda disse que achava que eu estava muito inchada e minha barriga não estava no tamanho compatível (sempre tive a barriga um pouco menor que a IG, então seria normal, se não fosse o inchaço). Me disse que eu deveria entrar em trabalho de parto até o dia seguinte, mas não necessariamente parir... Mas que nos deixava a vontade para decidir ir ou não para o hospital - é claro que eu não queria ir, eu queria um PD, só depois, atualmente que entendi o que ela havia dito naquele momento, mas é assunto para outro post - então fiquei tranquila que iria ficar em casa mesmo esperando o TP, quer dizer na casa da minha mãe, já que assim ficaríamos perto da casa da outra pessoa em TP em que ela estava atendendo, assim ela chegaria rápido até nós! Minha ficha ainda não havia caído de que a bonequinha ia mesmo nascer lá pelo dia 31/12!

Voltei para casa sem entender direito o que se passava, estava meio aérea e o dia passou a noite entrou e nada de trabalho de parto. Naquele ia a internet não funcionava bem e eu não conseguia entrar em contato com a mulherada da lista, estava sem quase nenhuma orientação... Não queria ligar para a parteira e incomodar já que ela estava atendendo outra paciente que merecia a atenção dela... Então fiquei lá sem saber o que fazer, e não fiz nada! Fui entristecendo sabe, eu nem sabia o que sentia naquela hora, mas parecia que tudo estava errado e fora da hora e algo nada positivo estava para acontecer, não havia ansiedade, não havia medo, não havia sentimento nenhum. Fomos dormir tarde, mas antes separamos as roupinhas que iríamos levar para o hospital, pq naquela altura do campeonato nós achávamos que eu não ia entrar em trabalho de parto e que íamos mesmo para o hospital - meu marido foi quem me convenceu disto, com todo carinho e amor que só ele tem. Lá pelas 3 da manhã quando comecei a pegar no sono comecei a sentir umas cólicas fracas. Dali alguns minutos elas já estavam mais fortes, mas nada de extraordinário e vinham a cada 5 ou 6 min. Ligamos para avisar a parteira que estava num outro parto e ela disse que iria pedir para a outra parteira ir para casa da minha mãe para fazer meu parto. Mas o tempo foi passando, e lá pelas 5hs comecei a tremer muito e sentir frio, fomos medir a temperatura e eu estava com 37 e alguma coisa... Dali um tempo 37 e mais alguma coisa, depois 38, ligamos novamente para a parteira que disse que tínhamos que ir para o hospital, não podíamos mais tentar nada, agora só no hospital, pois havia risco de infecção que precisaria ser tratada no hospital. Já tínhamos conversado em ir para um público pq teria mais chances de ter um parto normal, mas fiquei com medo de ficar sozinha e de no fim das contas precisar de uma cesárea e ter que ficar sem o Wil lá o tempo todo comigo, então fomos para o Hospital Adventista mesmo...

Acordei minha mãe para avisar do que estava acontecendo e do que precisava que ela fizesse para nós... Pedi para passar as roupinhas dela, ir até minha casa pegar minhas coisas, e outras da Lara e levar tudo para o hospital, dei uma lista pra ela... Minha mãe estava meio atordoada.

Quando chegamos lá, eram umas 8hs da manhã, e eu desci do carro senti bastante líquido vazando... No PS explicamos que queríamos ver um obstetra e a atendente nem se tocou que eu estava em "trabalho de parto" (na verdade acho que eram pródomos), acho que ela pensou que era mais um parto agendado. Aí olhei pra ela e disse se eu não podia aguardar lá dentro poque estava em "trabalho e parto" (uma dor incômoda), aí a feição da moça mudou... rsrsrrs Entrei e sentei enquanto o Wil dava entrada nos papéis, mas logo ele veio ficar comigo enquanto a menina deu entrada na ficha... acredito por piedade da mulher em TP rrs, ainda bem né!

Chega o plantonista (clínico), faz as perguntas de praxe e etc... escuta o coração (que estava muito bem por sinal) e ele e a enfermeira fazem aquela cara de alface quando eu digo que estou desde o dia anterior com a bolsa vazando ( e tenho que explicar bem, para não acharem que a bolsa estava completamente estourada desde o dia anterior). Aí chega o obstetra de plantão (meu médico nas 5ªs feiras atende num hospital do litoral e não estava em São Paulo, então nem ligamos para ele, ele já tinha avisado disto), examina, faz o toque e tal e me diz que eu estava com o colo nem grosso, nem fino e com 1,5cm de dilatação (a mesma do dia anterior), sem febre (!!!) e já aconselha a cesárea. Digo da minha vontade pelo parto normal, do medo da cesárea e etc e ele explica que depois de 24hs de bolsa rota, sem muita dilatação, com as contrações do jeito que estavam (nem pareciam contrações), que ele achava que eu não dilataria totalmente até a noite (tempo máximo de espera dele para um PN com bolsa rota), eu já estava com dorezinhas a quase 6 horas e bolsa vazando a 24hs e a dilatação não tinha evoluído nada então achava que não daria em nada. Eu contestei disse que não queria, não era minha escolha, se não podia induzir... Aí ele vem com o papo que é tarde, muito tempo de bolsa rota, se eu tivesse chegado mais cedo... Eu pergunto, mas porque não pode ser agora? Ele desconversa e começa a contar umas histórias de terror de mães que quiseram esperar e o bebê morreu, teve problemas e etc... Então, coagidos, e certos de que insistir não daria em nada, no máximo um parto normal sofrido ou algo pior, e ainda na certeza de que o hospital não tinha UTI neo-natal e se algo desse errado estaríamos sem suporte cedemos (mas não sem muito choro e medo). E lá fomos nós para a preparação. Nesta hora eu me senti derrotada pelo sistema, enganada, diminuída e com muita raiva por dentro, fui tomada por um sentimento de inércia, algo muito triste! Eu não queria acreditar no que estava acontecendo e acho que estes sentimentos tiraram toda a mágica naquele momento, me senti de fora da situação. Foi tudo muito estranho.

Subimos para o nosso quarto, veio uma enfermeira me preparar, outra preencher umas papeladas e mais caras de horror quando falo da bolsa vazando a 24hs! Aí começa uma pedição de exames da gravidez, ultrassom, isso e aquilo, pedindo para eu levar tudo que tinha para lá o mais rápido possível e minha vontade era gritar que eu e minha filha estávamos bem. Chegou uma hora que virei para a pediatra e para a enfermeira e disse “o que você quer saber da minha carteirinha? Eu sei tudo de cabeça e não tenho porquê mentir!”, ai que raiva! Subo na maca e lá vamos nós para o centro cirúrgico... eu ainda não acreditava que iria para a cesárea. Eu estava aterrorizada com tudo aquilo, me maior medo estava acontecendo, eu sentia um certo pavor naquele momento!

Abre aspas: sabe uma situação em que você morre de medo, foge, tem calafrios e etc e acaba sendo colocada nela sem tempo para se preparar psicologicamente? É como ir naquele brinquedo que é uma torre que despenca, que você não sabe o momento que aquilo vai acontecer e simplesmente acontece e você quase tem um treco? Me senti mais ou menos assim! Jogada na situação sem tempo de me preparar psicologicamente!

Lá me passam para a mesa e começam a colocar aqueles montes de panos... e eu ficando cada vez mais nervosa... Chega a hora da anestesia, me ajudam a sentar e eu peço para me avisarem quando começarem pq eu estava com contrações e não queria que aplicassem durante uma... Aí jogaram um líquido muito frio nas costas e eu logo retraí, aí o anestesista já foi pedindo para relaxar, foi o mesmo que dizer para eu ficar nervosa... Duas enfermeiras vieram ajudar, uma de cada lado para me segurar... Aí meu suplício começou... Ele apalpava minhas costas e tentava inserir o cateter, que dor horrível, não tive como não retrair as costas, não deu certo, tentaram mais uma vez, e eu já chorando muito, eu sabia que não podia me mexer, mas não conseguia, aquilo foi me deixando cada vez mais nervosa - nesse meio tempo o obstetra sentado de pernas cruzadas com a maior cara de indiferença me fala, durante meu acesso de desespero, que se eu tivesse um parto normal eu tomaria anestesia do mesmo jeito. Minha vontade era encher os pulmões e gritar bem na fuça dele que eu não era idiota e que teria um parto natural, e que SE eu quisesse uma anestesia era escolha minha e eu enfrentaria preparada!!! Não ali, sem respeito algum, inclusive do anestesista que NÃO avisou que iria iniciar o procedimento me dando chance de preparar para o que eu ia sentir! Lamentável! Sei que foi na 5ª vez que deu certo... eu não conseguia explicar que eu não conseguia relaxar mais as costas pq tinha uma hérnia de disco além de uma diminuição da flexibilidade do pescoço por causa de um achatamento de vértebras...

A partir daquela hora as coisas se tranqüilizaram mais, mas eu já estava mega assustada - também já haviam me anestesiado - e não sei como, mas meus batimentos ficaram normais durante todo o procedimento... Eu chorava muito de nervoso, nem conseguia falar com o Wil que ficou o tempo todo de mãos dadas comigo... Antes de começarem a cesárea o médico e toda a equipe pararam um pouquinho e fizeram uma oração entregando tudo o que iria acontecer ali nas mãos Dele e pedindo Suas benções e tals (rotina do hospital cristão), na hora me concentrei e pedi o mesmo, entreguei tudo, mas hoje olhando para trás sinto uma hipocrisia danada, mas sei que este sentimento é gerado pelo meu ressentimento. Dali a pouco a Lara nasceu - e para minha surpresa o Wil foi lá tirar foto dela saindo da minha barriga (ele não gosta de ver sangue, passa mal) - ela deu um miadinho depois começou a chorar bem alto. Não a trouxeram para eu ver, nem a levantaram por cima do campo cirúrgico. O Wil voltou chorando, muito emocionado dizendo que ela era linda, perfeita que a amava demais e me deu um beijo! Pedi para ele ficar com ela, então ele voltou lá, mas quando foram aspirar o nariz o tudo mais ele saiu de perto, disse para mim depois que não ia agüentar ficar olhando fazerem aquilo com ela (quando penso nisso me entristeço e nem consigo imaginar a angústia dela naquela situação, sem saber o que estava acontecendo, longe do cantinho que ela estava acostumada – a minha barriga – e um monte de gente colocando coisas dentro dela, ai que horror)...

Minha linda havia nascido! Lara Andrade Cardoso de Oliveira, 43cm, 2,185k e apgar 9/10 (será que ela precisava de cesárea mesmo?!).

Aí a trouxeram, toda meio cinza ainda rsrrs, os olhinhos rasgados, parecia oriental rsrrs, e com a boca feito um biquinho espumando rsrrsrs, tentei dar um beijo, mas não consegui...Sequer enconstei nela... Não a aproximaram o suficiente, não a peguei... Logo levaram ela dali... Aí começaram a me fechar e eu não dormi nadinha, a enfermeira vinha me dizer que eu já podia descansar e dormir, mas que nada eu estava com os olhos estatelados, super acordada... Só escutando os papos do médico com a enfermeira... Que saco! Sentindo raiva, inércia, um pedaço de carne.

Acho que não levou 40 min - na verdade acho que foi mais sim - para sair de lá e voltar para o quarto. Quando cheguei lá o Wil já estava me esperando e "logo em seguida" trouxeram a Lara para mamar, ainda sem banho, e toda enroladinha... Como é difícil dar de mamar deitada toda amortecida, mas conseguimos e logo de cara ela sugou direitinho...

Levaram ela de volta para o berçário para tomar banho. As roupinhas dela ainda não estavam lá, minha mãe ainda não tinha chegado. Vieram me cobrar umas duas vezes da roupinha e eu tive quase que soletrar - com a paciência que me pertence e a gentileza que me acompanha quando estou atacada - NÃO ERA PARA ELA TER NASCIDO AGORA, NÃO ESTÁVAMOS PREPARADOS, A ROUPA ESTÁ A CAMINHO!!!! Perguntei se ela não poderia tomar o banho e vir para o quarto enroladinha e disseram que não! Puts grila, pq não? Se não pode dar um jeito ESPERA então (vontade de soltar um palavrão)!!!Assim que minha mãe chegou a trocaram e a trouxeram para o quarto e depois disso não saiu mais de perto de nós.

Logo que a vi limpinha vi que era a cara do Wil... E ele ficou todo bobo com ela...

Só fui comer as 20h30, estava o dia todo sem nada, mas não tinha fome... comi por comer mesmo....

No dia seguinte levantar da cama com as enfermeiras foi a coisa mais difícil que já fiz na vida, como doeu, como foi difícil, fico pensando que as mulheres que dizem que não sentiram nada ou queriam muito aquela situação e não percebem como ela é dolorida, ou são muito sortudas mesmo... Não tive enjôos, nem tontura, mas em compensação a dor era terrível, não podia me mexer... cheia de gases que parecia que ia explodir, além dos pés mega inchados...
No primeiro dia não consegui andar como foi recomendado, fiquei mais sentada e depois disso não deitei mais na cama... De madrugada, depois de sofrer muito durante o dia resolvi andar com a ajuda do WIl e aos poucos fui sentindo melhoras, mas não podia pegar nada em pé, nem sentar ou levantar sozinha, muito menos me vestir ou ir ao banheiro sozinha, o Wil fazia isto por mim...

Hoje penso como é ridícula esta situação... parida, cortado ao meio (quase que literalmente), se arrastando pelos corredores, se apertando em cintas para aguentar se movimentar com algo parecido com um ser humano bípede, enquanto tem um serzinho recém-chegado ao mundo que precisa de você lá sem você!!! Como é que tem gente que ESCOLHE isso??? Eu não entendo, de verdade!

Já no segundo dia a Lara teve que ir para a fototerapia pq estava com a ictérica alta, em menos de 24hs, suspeita de infecção. Mas tinha que ficar com uma proteção nos olhos que ela insistia em tirar o tempo todo, e chorava pq tudo incomodava ou era muito quente, foi muito difícil... Ficou dois dias nisto e nós não conseguíamos dormir pq se ela tirasse aquilo dos olhos tínhamos que por logo de volta, pois a luz poderia prejudicar a vista dela no futuro...

No 3º dia tive alta e a Lara não... Ficou mais 2 dias para ganhar peso, e eu e o Wil ficamos juntos dela (neste hospital não há berçário para os bebês o espaço do berçário são para os 1ºs cuidados e exames , eles ficam no quarto, então ficamos no quarto com ela) e nestes 4 dias eu dormi sentada (p não conseguia voltar para a cama, os pontos doíam demais). A cada 3 horas levavam ela para fazer exame de glicemia, já que tinha nascido de baixo peso... Só no último dia que os exames foram só a cada 6 horas e isso deu um descanso para ela... Dava muita dó, chegou uma hora que ela tinha mais de 8 furinhos nos pés, só de lembrar já me dói o coração... Foram dias de suplício... meu Deus que difícil! Eu só queria estar com ela nos braços, na nossa casa, livre, leve e solta, sem corte, sem restrições e feliz!!! E naquele momento nem amamentar eu podia direito, não havia leite e o que minha filha mais precisava era isso... Até aquele momento eu não havia conseguido lhe proporcionar nada direito, nem na gravidez (super estressante), nem no nascimento e agora nem na alimentação... Como era frustrante.

Cada vez que era pesada tinha perdido mais peso e a preocupação aumentava, ela chegou a 1,890k e isto foi assustador. Aí as enfermeiras começaram a vir ordenhar leite, mas não saia quase nada, apenas umas gotinhas e ela dormia muito, era preciso deixá-la sem roupa na maioria das vezes para ficar acordada e mamar um pouco mais. Era uma luta toda vez que ela mamava, apesar de pegar no peito certinho.

4 dias depois de termos entrado no hospital voltamos para casa... A Lara bem, com 2.055k e eu ainda me arrastando (literalmente)... Tínhamos que voltar em 3 dias para ver a icterícia. Dentro do carro eu olhava para ela sem acreditar que ela havia nascido, tão frágil (aparentava), tão pequena, tão magrinha, uma ratinha perdida dentro daquele bebê conforto enorme para ela! Não conseguia deixar de pensar que naquela altura do campeonato era para ela ainda estar na minha barriga!

Ter escutado o chorinho dela ao nascer foi algo incrível e inexplicável... É maravilhoso olhar para ela e saber que ela é fruto do nosso amor... Chegar em casa (no caso não na nossa mesmo) deu a sensação de que ela era nossa de verdade e agora era tudo por nossa conta, sem ninguém do hospital dizendo o que fazer e pressupondo que eu não sabia nada!

Mas não posso deixar de falar que o parto em si foi uma grande frustração e deixou um sentimento de algo inacabado... Uma sensação de que tiraram ela de mim, que me roubaram a barriga... Muitas podem dizer ou pensar que é bobagem pensar isso, que estou pensando muito mais em mim do que na Lara, ou só no meu bem estar do que no dela, mas não é bem assim...Não é nada assim...
Pensar que nos foi roubado o direito de ter um nascimento (o dela no mundo e o meu como mãe) humano e singelo me enche de tristeza e indignação!

Há muita coisa envolvida, e eu ainda estou lidando com elas... Com certeza o medo de cirurgia e o fato dos pontos terem demorado um pouquinho para ficarem 100% me afetaram muito, me deixando as vezes muito triste. Mas são altos e baixos, e estou lidando com eles, há dias melhores e dias piores...

Hoje só penso em ter nosso novo dia a dia com a Lara “restabelecido” (sei que tudo será diferente agora e de uma maneira maravilhosa), de poder fazer tudo o que queremos, não vejo a hora de poder curti-la sem neuras na cabeça (qto a minha recuperação).

A experiência de ser mãe é maravilhosa e amo cuidar da minha bebéiazinha, já a experiência do parto... não posso dizer a mesma coisa...

Tudo isso só me fez mais partidária do parto normal, humanizado, natural...

Espero curar este meu trauma para no futuro poder engravidar de novo e quem sabe ter um menininho... Se Deus quiser...

Sou grata a Deus pelo dom da maternidade, por ter uma filha linda, feliz e saudável. Pelo meu marido, meu porto seguro, minha fortaleza no período mais difícil da vida. A minha mãe por ter me posto no mundo e me criado tal como sou. A Ivanilde minha parteira, pelo seu carinho, cuidado, suas orações e sinceridade. Ao Gama, que abre os olhos daquelas que desejam enxergar, pelas informações e todas as trocas maravilhosas e apoio nos encontros de grávidas e nos de pós-parto, sem contar os ombros para chorar e os ouvidos de pinico (rsrsr)! E a minha filha que faz de mim cada dia mais feliz!!!

2 comentários:

Rede disse...

Meu Deus, que linda! Tem que postar uma fotinho dela por aqui.
Adorei o blog. Gostaria de contatá-la. Teria um e-mail ou twitter para que eu possa entrar m contato com você?
Meu e-mail é: carolinacruz.ad@gmail.com
Obrigada!
Abraços e tudo de bom.

Mizuca disse...

Pamela, bom dia. Tem como você passar o contato desta parteira advetista. Fiquei interessada, muito obrigada! mizuquinha@gmail.com